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Casal que desistiu de adoção é condenado a pagar R$ 264 mil a irmãs devolvidas após 4 anos de convivência

 

A Justiça condenou um casal de Uberaba, no Triângulo Mineiro, que desistiu do processo de adoção de duas irmãs, atualmente com 9 e 10 anos, que foram devolvidas após quase quatro anos de convivência. Eles foram sentenciados a pagar indenização no valor de 100 salários mínimos (R$ 132 mil) para cada uma das meninas.

A decisão foi proferida em Ação Civil Pública proposta pela Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes de Uberaba. Para a promotora de Justiça Ana Catharina Machado Normanton, “foi uma grande vitória em relação à importância da responsabilidade da adoção, bem como a necessidade de responsabilizar judicialmente a postura negligente dos pais e de se evitar a revitimização e o reabandono de crianças e adolescentes que buscam por uma família”.

Para o juiz Marcelo Geraldo Lemos, da Vara da Infância e da Juventude da Comarca de Uberaba, “o valor da indenização deverá reparar o sofrimento e os danos causados às crianças, destacando que a ação dos réus foi grave a ponto de ferir e prejudicar os infantes no âmbito social, moral e afetivo. No mais, a condenação à indenização deve ter, além de cunho reparatório, cunho pedagógico, com o fito de não permitir e retrair atitudes semelhantes”.

 

Detalhes do caso

– Em 2017, as duas meninas ficaram na condição para serem adotadas por viverem em uma “grave situação de risco”, em Sacramento.

– Um casal inscrito no cadastro de adoção manifestou interesse em conhecer as crianças e deu início ao estágio de convivência, em julho de 2018.

– Após quatro meses, o casal confirmou a intenção de receber a guarda das irmãs. Durante o processo, eles foram informados sobre histórico de negligência e violência vivido pelas meninas e que isso poderia refletir no comportamento delas.

– Mesmo assim, conforme o Ministério Público, o casal manteve a posição de cuidar das crianças. Já as irmãs, que na época tinham quatro e cinco anos, demonstraram vínculo de afetividade com a nova família e ansiedade para estar com eles, sendo entregues definitivamente em novembro de 2018.

– Depois de quase quatro anos de convivência, o casal desistiu do procedimento de adoção e manifestou desejo de devolver as meninas, alegando que não foi possível criar vínculo com elas.

 

Ainda segundo o MPMG, um acompanhamento psicológico feito no caso concluiu que apesar de o casal ter dito que tinha consciência a respeito dos problemas vividos pelas crianças anteriormente, eles não estavam preparados e dispostos a acolhê-las.

Também foi constatado durante o estudo que o casal teve grande rejeição por parte de uma das irmãs que, devido aos males sofridos antes da adoção, desenvolveu transtornos emocionais.

 

 

 

 

Fonte: MPMG / G1

Foto: MPMG

 

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